Muitos
contribuintes recorrem aos escritórios de contabilidade para não correrem o
risco de cair na malha fina nesse período de declaração de Imposto de Renda.
Entretanto, se a documentação encaminhada aos contadores não estiverem
corretas, dificilmente escaparão de represálias do fisco.
E
o que uma pesquisa da multinacional Wolters Kluwer Prosoft revelou é que a
qualidade das informações enviadas pelos contribuintes aos seus contadores não
é boa. Como consequência, dos 2,1 mil escritórios de contabilidade ouvidos em
todo o País no levantamento, 81,1% deles precisam fazer algum tipo de
retificação nas declarações dos seus clientes.
Para
Danilo Lollio, especialista em IR da empresa holandesa, o dado serve de alerta:
"As pessoas pagam para que a declaração seja feita, mas as empresas
precisam ter os dados corretos. O contador fica dependente das informações
enviadas pelo cliente", diz.
Do
ponto de vista da Receita Federal, destaca Lollio, a responsabilidade pelo
documento é sempre do contribuinte, mesmo que ele tenha sido elaborado por um
profissional.
Logo,
a orientação é organizar e separar os documentos necessários ao longo do ano,
para que não haja omissão de nenhum dado relativo ao patrimônio ou à
movimentação financeira.
"Os
contribuintes geralmente só se preocupam se terão imposto a pagar ou a
restituir. Só que o Fisco não olha apenas isso", diz Lollio.
Segundo
ele, também há preocupação com a variação patrimonial, ou seja, se a pessoa
teve recursos suficientes para adquirir os bens e direitos que estão
discriminados no IR.
FALTA DE DOCUMENTOS
Entre
os principais motivos que levam as empresas a fazer retificações após o envio
do IR está a falta de documentação (52,6%), seguida por problemas em deduções
de despesas médicas (36,6%), omissão de aquisições e vendas de bens (10%) e
inconsistências entre gastos realizados e ganhos declarados (8,9%).
Em
2015, mais de 600 mil contribuintes caíram na malha fina devido,
principalmente, à omissão de rendimentos do titular ou do dependente.
A
pesquisa da Wolters Kluwer Prosoft também revela que a maioria dos escritórios
contabilistas (52,7%) processa acima de 100 declarações de IR anualmente, sendo
que quase um terço deles conta com apenas um funcionário para elaborar os
documentos.
"A
grande maioria são pequenos escritórios, em que o próprio dono se dedica a esse
tipo de serviço", destaca Lollio.
Para
não ser pego de surpresa pela malha fina, o contribuinte deve checar
periodicamente se a declaração foi processada sem problemas ou se há
pendências.
Para
isso, é necessário acessar o centro virtual do Fisco, chamado e-CAC. Lá, é
possível consultar um extrato online, que mostra eventuais erros ou omissões.
O
primeiro passo é gerar um código de acesso ou usar o certificado digital. Na
própria página do e-CAC há um ícone explicativo: "saiba como gerar o
código".
RETIFICADORA
Se
forem detectados erros, a solução é simples: entregar a retificadora. Trata-se
de uma segunda declaração, que substituirá por completo a original. As
alterações podem ser feitas a qualquer momento, em até cinco anos, desde que o
documento não esteja sob fiscalização.
Caso
haja imposto a restituir, o Fisco passará a considerar a data da retificadora,
e não mais a da original, na hora de priorizar o pagamento.
Já
se a declaração está correta e o contribuinte tem toda a documentação que
comprove as informações, o caminho é solicitar a antecipação da análise. Para
isso, é necessário esperar até janeiro de 2017, quando será possível agendar a
visita a uma unidade da Receita Federal. Esse agendamento também deve ser
realizado pelo e-CAC.
Fonte:
Diário do Comércio – SP
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