A
extinção do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon),
anunciada na última semana pela Receita Federal, pode complicar a vida de muitas
empresas. Isso porque a substituição da obrigação repetitiva por uma
escrituração digital, com maior nível de abrangência, pode expor ainda mais os
dados das companhias elevando riscos de autuações.
Segundo
especialistas, o documento ficou obsoleto após o início da sofisticada
Escrituração Fiscal Digital da Contribuição (EFD) para o PIS/Pasep e para a
Cofins, incluída no ambiente do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped).
Com a nova tecnologia, a Receita conseguirá apurar uma quantidade muito maior
de dados, podendo detectar problemas de maneira mais rápida.
"Com
as informações oferecidas pela nova Escrituração, a Receita tem dados
aprofundados, o que tornará a fiscalização mais eficiente. Apesar da extinção
do Dacon representar uma obrigação acessória a menos, é certo que o
detalhamento de informações, exigido pela Fisco na EFD, aumentará a exposição
fiscal dos contribuintes", enfatiza a advogado do Tosto e Barros
Advogados, Vânia do Leite.
Embora
a Receita Federal já tivesse publicado Instrução Normativa (IN) , que
estabelece Escrituração Fiscal Digital da Contribuição para o PIS/Pasep e para
a Cofins, em 2010, a obrigatoriedade do Dacon ainda era exigida até a
publicação da semana passada, que extinguiu a obrigatoriedade de entrega do Demonstrativo
relativo aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014. Isso
inclui os casos de extinção, incorporação, fusão, cisão parcial ou cisão total.
Antes
da Instrução Normativa 1.441 de extinção, as empresas ainda estavam na mira da
fiscalização mesmo tendo que emitir através do EFD os mesmos dados previstos no
Dacon.
A
medida da Receita deve ser mais uma, numa série de instruções que extinguirão
demonstrativos que já estão sendo abarcados no ambiente do Sped.
Por
outro lado, a apresentação do Dacon, original ou retificador, relativo a fatos
geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2013, deve ser efetuada com a
utilização das versões anteriores do programa gerador, conforme o caso.
O
Dacon era uma declaração obrigatória, na qual as pessoas jurídicas informavam a
Receita Federal sobre a apuração do PIS e da Cofins no regime cumulativo, não
cumulativo e o PIS com base na folha de salários.
Segundo
a advogada, é importante lembrar que, em substituição ao Dacon, foi instituída
a Escrituração Fiscal Digital da Contribuição para o PIS/Pasep e para a Cofins,
por meio da IN 1.052 de 2010, posteriormente revogada pela Instrução Normativa
1.252 de 2012, que incluiu a Contribuição Previdenciária sobre a Receita nesta
obrigação acessória, passando, portanto, a ser denominada EFD-Contribuições.
Em
relação à Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, referentes aos fatos
geradores ocorridos desde 1º de janeiro de 2012, as pessoas jurídicas sujeitas
à tributação do Imposto sobre a Renda com base no Lucro Real estão obrigadas a
adotar a EFD.
Aos
fatos geradores desde 1º de janeiro de 2013, as demais pessoas jurídicas estão
sujeitas à tributação do Imposto sobre a Renda com base no Lucro Presumido ou
Arbitrado.
Referentes
aos fatos geradores a partir de 1º de janeiro de 2014 estão os bancos,
sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades e cooperativas
de crédito imobiliário e corretoras, distribuidoras de títulos e valores
mobiliários, empresas de arrendamento mercantil.
Fonte:
DCI – SP
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